terça-feira, 24 de dezembro de 2024

 Dear Oprah,

Vendo fotos suas no aniversário da Gayle me ocorreu que o seu companheiro (marido?) raramente está com você em eventos.

Você vai ao Oscar sozinha ou vai a shows, inaugurações, festas de aniversário, sempre sem ele.

Talvez ele esteja lá e não queira ser fotografado, minha opinião é que vocês vivem vidas a parte e isso não é nenhum problema para você.

Na verdade, isso só faz que eu a admire mais.

Eu sei que você está sempre cercada de gente, que provavelmente você só permite à sua volta pessoas que a amem e respeitem e isso é louvável porque a maioria das pessoas (eu inclusive) se vende por muito pouco.

A gente implora por amor e atenção.

A gente rasteja por migalhas de amor e atenção de pessoas que não fazem a mínima ideia do que é sermos nós.

Com essa situação horrível com o Patrick eu tenho feito muitas reflexões sobre a minha vida e como diria a Marisa que trabalhou para a mamãe, "Não é pra me gambar", mas eu sou foda.

Eu sou foda porque sobrevivi a um pai que me amava de uma forma doente. Amor para ele era me dar cintadas para me "ensinar".

Um pai que me chamava de vagabunda, de inútil, que nunca me fez um elogio, mas que da maneira doente dele sei que me amava.

Um amor que machucava.

Minha mãe me amava. Era minha amiga, era minha rocha.

Ao mesmo tempo ela nunca se colocou na frente do meu pai para impedi-lo de me agredir fisicamente.

Ela desprezava a forma como eu me vestia, como eu falava alto, ria alto.

Eu não era a Barbie que ela gostaria ter como filha, mas ainda assim ela me amava e quando o Eric morreu eu não sei o que teria feito sem o amor e o apoio dela.

Aí eu começo a fazer a avaliação de amigos de infância.

A Débora por exemplo.

Deve ter sido difícil para ela estar sempre na minha sombra.

Eu brilhava.

Sem falsa modéstia aqui, eu sei que eu brilhava.

Eu era sempre a alegria da festa, eu cantava com um grupo, eu tinha caminhões de namorados.

Ela era aquela pessoa sem sal sempre por perto.

Sei que dei atenção à ela. Sempre.

E andamos juntas durante sei lá, 30/35 anos.

Mas o que eu achava que era uma grande amizade era só uma relação de toma lá, dá cá.

O mesmo hoje se aplica à Rose, à Meg, à Carmen.

Com a Tereza é diferente porque eu SEI como ela é.

Eu SEI que não posso esperar dela o que ela não tem para dar e ainda assim quando ela pode ela dá.

A Ana é aquele coração ambulante.

A Ana é aquela pessoa que se dá, se entrega, se despe de tudo pelos outros.

Eu quero ser como a Ana quando eu crescer.

O resumo da ópera é que eu sou uma pessoa muito, extremamente sozinha.

Sozinha, não solitária.

Aquele ditado do melhor andar só que em má companhia?

Eu o estendo a melhor andar só do que em companhia de pessoas que nem percebem que eu estou ali.

Hoje é véspera de Natal e eu optei por ficar sozinha.

Optei por não mentir para ninguém dizendo para um que estarei na casa do outro.

Não!

Eu disse a verdade: eu quero estar comigo.

Não quero sorrir sem vontade ou ter conversas vazias ou estar no meio de crianças que não são meus netos correndo à minha volta.

Vou fazer camarão na manteiga com alho e risoto.

Vou beber meu espumante e ler meus livros, assistir filmes e talvez chorar um pouquinho de saudade das crianças.

Não vou me corromper pelo medo da solidão.

Somos sós.

Somos sós com nossos amores, nossos pensamentos, nossos sonhos.


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