Dear Oprah,
Como eu gostaria de ter um amigo.
Um!
Um amigo de verdade!
Uma pessoa que se importasse comigo ao ponto de perceber que tem algo muito errado aqui.
Um amigo que dissesse: Gisela, não é normal uma pessoa passar dias e dias e dias sem ver ninguém, sem falar com ninguém.
Alguém que dissesse que amores e amigos de livros não valem.
Não é o fato de não ter ninguém aqui agora, é o fato de ninguém se importar.
Meus filhos não se importam.
Principalmente meu filho.
Não importa pra ele porque se a vida dele está seguindo, a minha deve estar também.
Não importa pra ninguém que eu pense em me matar 100 vezes por dia.
E só não me mato porque a perspectiva de passar por tudo isso de novo é pior do que viver.
Então, eu vivo como morta.
Se eu estiver morta aqui, ninguém vai perceber até começar a feder.
Eu decidi realmente cortar todo mundo da minha vida, já que me cortaram da vida deles.
Já que é pra ser sozinha, talvez seja melhor eu abraçar isso e viver isso até a hora que Deus decidir que deu, que eu já paguei a pena.
As pessoas têm pena dos que morrem. Os 181 daquele avião, os dos acidentes, dos que morreram jovens como o Eric.
EU vi um vídeo que o cara foi visitar uma amiga e ela estava passando por um problema muito sério e ele falou: "Mas por que você não me chamou?" e ela disse "Eu chamei." E ele vê no celular todas as vezes que ela perguntou "Quer tomar um café?"
Ele ficou chocado porque "Quer tomar um café" não é "Por favor, eu preciso de alguém."
Por que a gente tem que usar as palavras?
Por que as pessoas não conseguem perceber?
Eu percebo.
Quantas vezes eu não falei pra Tereza "Você está bem? Está muito quieta."
Ou fui até a Ana porque eu sabia que ela não estava bem.
Ou liguei pra Rose e falei que estava sentindo que ela não estava bem.
Se eu percebo, por que as pessoas não percebem?
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